Vale a pena investir em CRA em 2026?

O prêmio subiu — mas o risco também

O spread dos CRAs voltou a beirar 1,59%, acima de um desvio padrão da média histórica. No papel, é o tipo de prêmio que aparece poucas vezes. Mas a pergunta que ninguém faz é: por que esse produto está tão barato agora?

Não. A inadimplência acima de 90 dias no agro chegou a 6,22% no Banco do Brasil no 1T26. Em 2025, o setor liderou os pedidos de recuperação judicial no país — cerca de 30% do total. O pagador final de boa parte dos CRAs está no centro desse estresse.

O agronegócio está em um bom momento para o crédito?

É, e também uma alternativa difícil de ignorar. Uma NTN-B 2032 paga hoje IPCA+ 8,30%. O juro real de 10 anos está perto de 7,45% — no topo da distribuição histórica desde 2014, acima do percentil 90. O soberano raramente esteve tão atrativo.

O juro real alto é um problema para quem investe em CRA?

Afeta. O Brasil importou 93% dos fertilizantes que usou em 2025. O Estreito de Ormuz é rota relevante desse comércio, e o conflito já está pegando o produtor na janela de compra da safra 2026/27. Custo mais alto comprime margem e aumenta inadimplência.

A guerra no Oriente Médio afeta os CRAs do agronegócio?

Pode. A NOAA estima 82% de chance de El Niño no segundo semestre de 2026, que é justamente a janela da safra de verão. No El Niño de 2023/24, a safra de grãos caiu cerca de 8%. As regiões mais expostas são o coração do lastro de boa parte dos CRAs.

O El Niño pode impactar o lastro dos CRAs?

Rende, mas a comparação certa não é só sobre o spread. O CRA paga a NTN-B equivalente mais o adicional de crédito. A pergunta é se esse adicional de 1,6% compensa o risco extra que a NTN-B não carrega.

O CRA rende mais do que a NTN-B?

Março de 2026 registrou o maior volume de rebaixamentos da série recente, com folga sobre as elevações. Rebaixamento não é detalhe técnico: é o aviso de que o risco do papel está piorando, mesmo que o cupom continue sendo pago.

O que os rebaixamentos de rating sinalizam para o crédito privado?

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Com quatro riscos convergindo para o mesmo lastro e o soberano pagando juro real historicamente alto, a resposta é: prefira a cautela. Confira mais detalhes.

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